Anúncio polémico da Pepsi durou menos que 24 horas

A Pepsi lançou, na quarta-feira, um anúncio com a modelo Kendall Jenner. Menos de 24 horas depois do lançamento do vídeo, a marca escolheu retirá-lo como reação aos protestos que causou.

“A Pepsi estava a tentar projetar uma mensagem global de união, paz e compreensão. Claramente, falhámos o objetivo e pedimos desculpa. Não foi nossa intenção menosprezar nenhum assunto sério. Estamos a remover o conteúdo e vamos cessar qualquer publicação adicional. Lamentamos igualmente termos colocado Kendall Jenner nesta posição”, destacou a marca no Twitter.

No vídeo de dois minutos, Jenner surge a posar para uma sessão fotográfica, enquanto na rua se junta uma multidão em protesto pacífico. No momento seguinte, a modelo arranca a peruca loira, limpa a maquilhagem e agarra uma lata de Pepsi, que depois oferece a um dos polícias responsáveis por controlar os manifestantes.

O final do spot publicitário criou uma manifestação nas redes sociais pior do que aquela que tentou representar no filme. Alguns utilizadores criticaram o vídeo por retirar a importância a movimentos sociais importantes e reduzi-los a uma marcha para tirar fotografias.

Outros viram o momento em que Jenner entrega a lata de Pepsi a um polícia como uma apropriação da imagem icónica de Ieshia Evans, a ativista do movimento Black Lives Matter, quando foi presa durante um protesto em Baton Rouge.

Os críticos apontam a estratégia de “apagar” o racismo e a brutalidade policial com uma lata de refrigerante e de recorrer a problemas de impacto mundial para publicidade.

A difusão do anúncio foi acompanhada de críticas de personalidades como Bernice King, filha de Martin Luther King que, na rede social Twitter, ironiza, “se o meu pai soubesse do poder da Pepsi”.

Na página do Facebook da PepsiCo, foram vários os utilizadores que afirmaram que irão trocar o seu refrigerante pela concorrente Coca-Cola e houve ainda quem ameaçasse fazer um boicote total à empresa.

1 COMENTÁRIO

  1. Mas esta gente está doida? Então fazer um filme onde não impera racismo, há convívio, pessoas a exercer o direito à manifestação, tolerância e multiculturalidade é algo de mau? Então preferem um anúncio com apartheid, polícias a dar porrada em pretos e já agora a rapariga do véu a rebentar-se no meio da multidão? Incrível como algumas pessoas, em nome dos ideais que defendem, atacam uma publicidade destas. Pior, alguns alegados defensores da liberdade (de minorias, etnias, etc), que julgaria terem uma perspectiva mais alargada, conseguirem ver algo negativo nisto. Que mentes mais deturpadas e de facto intolerantes.
    Pepsi, apesar de preferir Coca-Cola, estou contigo nisto. Belo anúncio.

    • Sim, as manifestações de demência parecem multiplicar-se. Mas não deve ter nada a ver com as nossas novas mascotes indispensáveis, aquelas que tantas vezes nos põem a conduzir a olhar para o colo em vez da estrada e a travar vezes sem conta sem motivo aparente, que se no-las tirarem temos um síndrome de privação comparável a um viciado.
      O pequeno de-talhe de não gostarmos que os nossos microondas possam funcionar de porta aberta, mas não nos incomodamos nada que radiações comparáveis sejam emitidas por antenas espalhadas por todo o lado, prédios, torres, etc. Os nossos cérebros são imunes a este cozinhado ao ar livre? Achamos que TêM de ser imunes, porque seria inimaginável que os nossos “responsáveis” nos sujeitassem a tal massacre… Eles querem mais o nosso bem do que qualquer progenitor, certo? Eles trabalham exclusivamente para o nosso bem, certo? O contrário seria impensável, certo? Certo? Não interessa nada para o assunto que a democracia e a liberdade estejam em vias de extinção. Errado? É como garantir que nunca mais choverá. Conseguem garantir isso?

  2. Seria engraçado se no fim, o soldado/polícia dissesse algo como: “Porr…!!! Que porcaria! Preferia Coca Cola!”.
    Pessoalmente não me parece uma boa ideia brincar com situações de prrotesto (válido) e misturar interesses económicos, mas, de qualquer maneira, não acho que justifica esta “tempestade num copo de água”. Mais uma jogada de publicidade/marketing da Pepsi que; por mais que se esforçe, nunca chegará aos pés da Coca-Cola! Mas foi um bom esforço…

  3. Parece que o mundo afinal está cheio de pessoas “não me toques”, quando o vídeo acabou ainda estava à espera de qualquer coisa de mau gosto, mas não encontrei.
    O que acontece é que existe demasiada gente com síndromas de inferioridade por este mundo fora.
    Gostei do anuncio da PEPSI.

  4. O mundo está cheio de idiotas. O mundo está cada vez mais cheio destes guerreiros que fervem em milisegundos. O objetivo é sempre o mesmo, criticar e reclamar e há sempre um ângulo possível de interpretação que suporta a sua indignação.
    Intenções já não têm significado. A Pepsi diz “aqui está uma mensagem de paz e união”. Mas estes guerreiros dizem “o vídeo usa a cor vermelha e essa cor ofende-me e logo é tudo racista e etc”.
    Mas a Pepsi tenta clarificar “não, não, você está a fazer uma interpretação errada e a levar o assunto para outras paragens que nada têm a ver com a mensagem que estamos a tentar passar”. E eles respondem “não interessa a vossa intenção, o que interessa é que eu penso do vídeo e como o meu cérebro quer é reclamar…abaixo com a PEPSI racista e etc”.

    Eu costumava ser da opinião que idiotas devem ser ignorados. Dar tempo de antena a coisas estúpidas é um erro. Mas penso que a idiotice começa a estar em maioria e se assim é já não há cura. Resta-nos apenas esperar pelo apocalipse.

    • Concordo plenamente (excepto a parte do Apocalipse).
      Como uma pessoa qualquer acha-se ofendida, acha que pode impor restrições a outros, e o mais grave é que instituições, marcas e até governos irem na conversa de ofendidos delas, e submeterem-se às suas exigências. Recomendo a toda a gente ler o livro intitulado “direito a ofender” de Mick Hume. Serve para abrir os olhos e ouvidos no dia a dia.
      E não acho tempo perdido eles terem tempo de antena, pois só assim será possível identificar quem são e responder, contra-argumentar e decompor as suas justificações.
      Ao cancelar o anúncio, a Pepsi está a auto-censurar-se e agrilhoar a sua liberdade de expressão, e, ao valorizar a opinião dos indignados, a mexer no nosso direito de ver e ouvir um anúncio. Só vê o anúncio quem quer. Quem não gostar que não veja.

  5. Eu por acaso gosto mesmo mais de Coca Cola, mas depois disto vou passar a pedir Pepsi.
    Não por causa do anúncio em si, que acho muito bom, mas não me faria mudar de bebida.
    Apenas por causa dos palermas politicamente correctos que fizeram uma tempestade numa lata de refrigerante e que acham que são donos das verdades e dos ícones culturais que fizeram a nossa história.

  6. Bem, uma coisa é certa, publicidade com fartura e a baixo custo, já a PEPSI conseguiu, basta ver o numero de visualizações do anúncio e de todo o impacto mediático que teve.
    Não vejo nada de mal no anúncio. A leitura que faço enquadra-se naquilo que a maioria já disse aqui, isto é, acho que o anúncio representa exactamente um espirito de coesão, não apelando em nada a segregações, racismos, xenofobias ou violências de qualquer especie.
    Acho o anúncio bem conseguido, é pena que mentes torpes o vejam de forma contrária ao real espirito do anúncio. Quanto ao comentário da filha de Luther King entendo-o não como critica mas sim como uma simples observação com algum humor e representativa até de que o anúncio espelha a antitese do que se passou no tempo do seu pai, ou seja, uma sociedade americana racista, xenófoba e uma policia trauliteira e caceteira sobre os movimentos sociais de inclusão.

  7. Estava á espera a qualquer momento de algo de mau gosto, ou polémico, quando vi a muçulmana a pegar na camara ainda pensei que algo aí vinha e nada…. não percebo.

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