Bancos alegam que têm que aumentar comissões bancárias para gerar lucros

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A Associação Portuguesa de Bancos (APB) responde às críticas da DECO a propósito do sucessivo aumento das comissões bancárias nos últimos anos com a justificação de que as entidades bancárias precisam de gerar “proveitos” numa altura de crise financeira.

A DECO queixa-se de que os bancos vêm aumentando as comissões bancárias “sempre acima da inflação“, conforme aponta o economista da Associação de Defesa do Consumidor, Nuno Rico, em declarações à Rádio Renascença.

O responsável da DECO fala de um “aumento concertado” e frisa que, nos últimos meses, “estas subidas deixaram de incidir mais sobre as comissões de manutenção e passaram a privilegiar os meios de movimentação”.

“Nos cartões temos subidas, de um ano para o outro, de 20% nas unidades de cartão de débito“, afiança ainda Nuno Rico.

Entre 2008 e 2013, as comissões bancárias de manutenção de contas de depósito aumentaram em cerca de nove euros, conforme dados do Banco de Portugal citados pela Renascença, o que significa um aumento de 23%.

A DECO queixa-se ainda de que os bancos não estão a ter em conta as recomendações do Banco de Portugal, nomeadamente no que concerne às comissões de manutenção de conta. A instituição de supervisão aconselha que estas deixem de ser cobradas em função do saldo, o que não se está a verificar por questões informáticas.

É essa a justificação apresentada pela representante do Centro de Assessoria Económica e Financeira da APB, Catarina Cardoso, em declarações à Renascença.

“Cumprir essa recomendação do Banco de Portugal significa que os bancos precisam de fazer alterações aos seus sistemas informáticos. Essas alterações requerem tempo. Há deveres de comunicação aos clientes que têm de ser cumpridos, há prazos a cumprir e, portanto, há instituições que já conseguiram pôr em prática a recomendação do Banco de Portugal e há outras que estão a trabalhar nesse sentido”, explica Catarina Cardoso.

Esta representante da APB frisa ainda que os bancos têm liberdade para fixar o preço cobrado pelos seus serviços e considera que “as comissões são uma parte importante das receitas da actividade bancária“.

“Têm de contribuir, por um lado, para o financiamento da globalidade das despesas das instituições e, por outro lado, para geração de proveitos“, continua Catarina Cardoso na Renascença.

“Num contexto actual de pressão sobre a margem financeira, por via das condições económicas adversas e do contexto de baixas taxas de juro, é normal que se possa assistir a um aumento de comissões”, diz ainda.

SV, ZAP

7 COMENTÁRIOS

  1. Não acredito no que estou a ler….Os maiores bancos nacionais tiveram um lucro conjunto de 467,6 milhões de euros nos primeiros seis meses deste ano e agora dizem que tem de aumentar comissões…. Mão dura contra os banqueiros…

    Não chega o que já estão a tirar as pessoas e agora querem mais…

    Senhores do Banco de Portugal trabalhem e façam uma investigação até as ultimas consequências para saber que, é que se está a lucrar.

  2. Há mais de 20 anos que sou cliente da CGD e NUNCA paguei despesas de manutenção da conta nem de transferência por e-banking.
    Agora cobram essas despesas, para compensar as ASNEIRAS que fizeram com o nosso dinheiro nos últimos anos, emprestaram mal, entenda-se aos amigos dos diversos governos. E incentivaram as pessoas a endividarem-se: UMA CAMBADA!

  3. Tenho conta da CGD e em 2014 foram-me cobrados 12€ + imposto de selo sobre a anuidade do cartão de débito ou manutenção (julgo eu porque nunca percebi a que se referia esta cobrança). Em março de 2015 o valor cobrado foi de 15€ + imposto de selo. Entretanto do dia 16 de junho de 2015 e no dia 17 de julho de 2015 foram-me cobrados 5.15€.
    Isto não é inadmissível?

  4. “A DECO queixa-se de que os bancos vêm aumentando as comissões bancárias “sempre acima da inflação“.
    Ora muito bem… eles aumentam acima da inflação e a mim há mais de 10 anos que não me aumentam ao vencimento, nem sequer a nível da inflação quanto mais acima disso. Pelo contrário, tiraram-me àquilo que ganahava. Se eu e muitos outros perdemos rendimento, por que carga de água estes abutres têm que ter lucros astronómicos?

  5. Se calhar o que pretendem é que se volte ao tempo do ‘dinheiro vivo’. Face aos juros que pagam e aos custos pela ‘segurança’ de o ter lá, o melhor é pô-lo a requentar de baixo do colchão e exigir até à entidade patronal o pagamento em notas para que o vil metal nem por lá passe!

  6. Até hoje (e com contas há mais de 20 anos), nunca paguei despesas de manutenção!!
    Há uns anos fechei a conta do Totta (quando apareceram os manhosos do Santander e se começaram a armar em espertos!), e, anos mais tarde fiz o mesmo no BCP (quando me tentaram cobrar comissões pelas despesas de manutenção)!
    Actualmente só tenho conta no ActivoBank e não pago nada (até a anuidade do cartões é grátis)!
    Recomendo, mas, se começarem a abusar, vão logo de vela!!!

  7. Isto é um embuste. Gerem o dinheiro dos clientes, pagam juros muito inferiores aos que cobram, veem mostrar os planos anuais de contas com saldos positivos de milhões e agora ainda querem cobrar mais? Isto só pode ser crime. Se alguns estão com prejuízo, deveriam culpar os gestores pelas erradas aplicações de capital, pelos salários exorbitantes dos administradores e pelas muitas duvidas de corrupção ( se é que existem) que levou o BPP, BPN, BES, Banif a estarem na situação que estão. Se ´há problema ele estará certamente dentro destes parâmetros portanto é aclarar e condenar quem tiver penas a cumprir. Gerir uma empresa (como muitas que foram privatizadas) em que se torna fácil que as mesmas deem lucro bastando para o efeito aumentar as prestações, desculpem-me mas para isso não é preciso queimar as pestanas na universidade: quem tiver orelhas grandes poderá fazer o mesmo.

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