Bancos apostam na venda a crédito de diamantes, terços e até vinhos

Canadian Pacific / Flickr

Um balcão da Caixa Geral de Depósitos em Toronto, no Canadá

Em tempos de crise e com as taxas de juro do crédito à habitação cada vez mais baixas, os bancos nacionais estão a apostar na venda de joias, moedas, barras de ouro, terços e até vinhos através de créditos ao consumo. Neste caso, os juros podem chegar aos 17%, o que gera um lucro muito interessante para estas instituições.

No Dia Mundial da Poupança, o Público revela dados que apontam que os bancos estão a apostar na venda de produtos como joias, obras de arte, terços com Nossa Senhora de Fátima e até caixas de vinhos como forma de obtenção de dividendos através de créditos ao consumo, cujos juros podem rondar os 17%.

O jornal utiliza o exemplo da Caixa Geral de Depósitos que tem em marcha uma campanha para tentar aliciar os seus clientes a comprarem joias da “Colecção Diamantes“, através de cartões de crédito do banco do Estado.

O Público repara que a CGD enviou a um “universo alargado de clientes” um catálogo de joias, promovendo-o como “investimento sem risco” e que requer que quem queira aderir o faça através do crédito ao consumo, com juros que podem chegar a 17,3%.

Entre as joias promovidas, há um “pacote” que inclui brincos, anéis e colares a um custo de 6575 euros.

O pagamento pode ser feito em fracções e, no caso de se dividir por 12 meses, “a TAEG (taxa anual efectiva geral) atinge os 17,3% e, para quatro anos, chega a 15,2%”, sublinha o diário.

“Um anel com cinco diamantes custa 1995 euros no momento da compra e fica em 2616,48 euros no final do crédito a 48 meses”, repara ainda.

Esta iniciativa da Caixa não é a única e há outros bancos que têm campanhas similares, com garantias de grande rentabilidade para as instituições financeiras.

No site do BPI é possível verificar que o banco promove vinhos e champanhe, joias e o Livro Sporting por 2259 euros.

Vendem-se ainda a crédito esculturas de Nossa Senhora de Fátima, feitas com ouro e diamantes, cujo valor inicial de 8900 euros pode chegar a mais de 12 mil euros após 97 prestações.

No Millennium BCP há moedas e barras de ouro, corações de Viana em filigrana e terços Siza Vieira em ouro a 2950 euros, pode ver-se na sua página.

Já o Montepio aposta sobretudo em obras de arte e em pérolas, mas também vende a crédito vinhos e os famosos pratos e faqueiros da Vista Alegre.

No site da CGD, também é possível verificar que o “Terço das Rosas“, uma peça de joalharia feita de “pérolas e ouro de 19,2 quilates”, para assinalar o centenário das Aparições de Fátima, está totalmente esgotado. O preço inicial de cada unidade era de 5975 euros.

Por outro lado, o Público apurou que tanto o Novo Banco como o Santander Totta “abandonaram esta prática” de venda a crédito ao consumo.

ZAP

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