Bancos tiram 5 milhões por dia das contas dos clientes em comissões bancárias

Mário Cruz / Lusa

O agravamento do preçário da Caixa Geral de Depósitos desencadeou uma série de críticas ao banco e ao Governo. Por dia, são mais de cinco milhões de euros que saem das contas dos clientes.

Segundo as contas da Deco, as comissões bancárias levam cinco milhões de euros por dia aos portugueses, ou seja, 1,8 mil milhões de euros ao fim de um ano.

Segundo o Diário de Notícias, os preçários dos bancos dispararam nos últimos anos, mas o aumento mais recente é o da Caixa Geral de Depósitos. A partir de março, o banco estatal vai aumentar novamente os seus custos, com prejuízo notório de estudantes e reformados.

No último ano, as comissões bancárias aumentaram mais de 6%. Um crescimento muito acima da inflação, que se ficou por 1,4%.

“A tendência tem sido de aumento generalizado das comissões na banca portuguesa, acima do aumento da inflação, uma matriz normalmente utilizada pelos bancos para justificar estes ajustes nos preços”, alerta o economista da Associação para Defesa do Consumidor, Nuno Rico.

Além disso, verificou-se um aumento de 45% na comissão de manutenção de conta e, nos últimos dois a três anos, “os bancos cortaram fortemente nas isenções”. Segundo o DN, o fim das isenções explica parte do novo preçário da CGD.

Em maio do ano passado, Paulo Macedo sinalizou que as comissões teriam de aumentar em 100 milhões em quatro anos. Embora tenha admitido que não seria uma correria, em menos de um ano os aumentos fizeram-se sentir.

A Deco lembra que escapar ao pagamento de uma comissão de manutenção é praticamente impossível. Agora, evitar pagamentos já só é possível na banca online e no Banco CTT, alerta Nuno Rico ao DN.

Aumentam agora as críticas à CGD e aos seus aumentos. António Costa foi confrontado pelos deputados sobre o novo preçário, mas o primeiro-ministro argumentou que não é “administrador da Caixa” e que não entende “a função acionista”.

O Bloco de Esquerda quer que o ministro das Finanças trave o “aumento abusivo” e a CGTP “considera inaceitável que o banco público continue a agravar os custos, chegando a cobrar comissões mais elevadas do que a banca privada”.

Já Marcelo Rebelo de Sousa lembra que a recuperação da CGD “exige sacrifícios“.

ZAP //

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