DGS e Infarmed pedem aos portugueses que tomem menos antibióticos

A Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed) enviou cartas aos profissionais de saúde a pedir que informem os doentes sobre o perigo de usarem antibióticos de forma inadequada e pede que a prescrição dos mesmos seja feita de uma maneira responsável.

A notícia é avançada esta sexta-feira pelo “Diário de Notícias”, que informa que o uso excessivo de antibióticos tem levado ao aparecimento de bactérias multirresistentes, responsáveis por mais de 700 mil mortes no mundo.

Em 2013, as bactérias que não são suscetíveis aos antibióticos estiveram associadas à morte de 4600 pessoas em Portugal.

Felizmente, em 2014, o consumo de antibióticos em Portugal reduziu, e o país está agora no 16.º lugar entre 30 países europeus quando estava em nono, em 2012.

“Portugal tem melhorado globalmente no consumo de antibióticos e estamos abaixo da média europeia. Mas continuamos longe dos melhores países”, afirma ao DN Carlos Palos, do Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e Resistência aos Antimicrobianos (PPCIRA).

De acordo com dados do Infarmed, o número de embalagens de antibióticos dispensados em 2015 aumentou 3,5% em relação a 2014, passando de “cerca de 7,7 milhões para cerca de 8 milhões”.

Já comparando o primeiro semestre de 2015 com o primeiro semestre de 2016, a tendência é de descida. “As embalagens de antibióticos diminuíram 3,4%, de 4,4 milhões para 4,3 milhões”, destaca o Infarmed.

Apesar do consumo nacional ter descido no último ano, entre outubro de 2015 e setembro de 2016 foram vendidas em Portugal cerca de 8,5 milhões embalagens de antibióticos em farmácias, segundo dados da empresa QuintilesIMS.

A venda destes medicamentos ascendeu aos 61 milhões de euros, abaixo dos 65 milhões de euros registados no ano anterior.

Segundo Carlos Palos, um dos problemas que provoca o aumento da resistência aos antibióticos, em Portugal, é a informação falsa.

“Cerca de 60% dos portugueses continuam a achar que os antibióticos servem para tratar vírus e cerca de 50% acham que tratam gripes e constipações. É muito acima da média europeia”, aponta o especialista ao DN.

Resistência aos antibióticos pode vir a matar mais dez milhões de pessoas por ano

Um relatório conduzido pelo economista Jim O’Neill, apresentado em maio, indica que a resistência aos antibióticos poderá vir a matar, em 2050, mais dez milhões de pessoas por ano face ao que acontece atualmente – ou seja, uma pessoa a cada três segundos.

“É preciso que isso se torne uma prioridade para todos os chefes de Estado”, afirmou na altura O’Neill, citado pela agência France Presse, ao propor uma bateria de medidas a implementar.

O relatório apela à mudança drástica na maneira de utilizar os antibióticos, cujo consumo excessivo e má utilização favorece a resistência das “super-bactérias”.

A primeira investigação sobre a resistência aos antibióticos, publicada há um ano em Genebra, revelou que todas as pessoas podem um dia ser afetadas por uma infeção resistente a estes medicamentos.

Na apresentação deste estudo, a diretora geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan, referiu que o aumento da resistência aos antibióticos representa “um imenso perigo para a saúde mundial”.

A resistência ocorre quando as bactérias evoluem e ficam resistentes aos antibióticos utilizados para tratar as infeções, algo que “atinge níveis perigosamente elevados em todas as partes do mundo”.

Este flagelo mundial deve-se, sobretudo, ao consumo excessivo de antibióticos e à sua má utilização.

BZR, ZAP / Lusa

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