A dieta orgânica afinal não é melhor para o planeta

Os consumidores são frequentemente encurralados por argumentos sobre os benefícios da alimentação biológica, ou orgânica. Muitos dizem que este tipo de alimentação é mais saudável, saborosa e melhor para o planeta. No entanto, há estudos que mostram que pode não ser bem assim.

As mais recentes más notícias mostram que as plantações de produtos biológicos ocupam áreas significativamente maiores do que as convencionais. Isso quer dizer que as dietas orgânicas ou biológicas podem não ser tão ecológicas quanto se pensa.

Num estudo publicado em maio no Journal of Cleaner Productor, uma equipa de investigadores alemães e suecos examinou a pegada de carbono global de uma dieta orgânica e comparou-a com a de uma dieta convencional.

Foram utilizados dados sobre o consumo de alimentos, levantados pela pesquisa nacional de nutrição alemã, considerando a dieta orgânica como “dietas gerais de consumidores cujas compras alimentares incluem uma grande porção de produtos orgânicos”, e a convencional como de pessoas que não costumam comprá-los.

Depois, avaliaram a pegada de carbono e o uso da terra a partir de estudos de ambos os cultivos. E a descoberta do estudo é esta: a pegada de carbono das duas dietas são essencialmente iguais.

Mas os resultados apresentam ainda uma outra conclusão: a agricultura orgânica usa 40% mais de terra do que a convencional – e num planeta que dedica metade do seu território à agricultura, isso não é apenas um detalhe.

A chave na conclusão do estudo é o facto de se ter considerado a dieta convencional média como uma alimentação que inclui 45% mais de carne do que a orgânica. O que não quer dizer que se tenha enganado – é plausível que as pessoas que consomem produtos sem pesticidas também se esforcem para reduzir o consumo de carne, mas esse facto pode alterar os resultados.

Para comparar maçãs com maçãs, quando o assunto é a diferença entre orgânicos e não-orgânicos, torna-se necessário determinar a pegada de carbono da mesma dieta a partir apenas da mudança de variáveis entre cada um deles.

Comer carne, especialmente a bovina, envolve uma enorme pegada de carbono. Se esse detalhe fosse removido da equação, as dietas baseadas em alimentos orgânicos teriam uma média mais elevada na emissão de gases do efeito estufa.

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Mas porque é que a agricultura orgânica tem uma pegada maior de carbono? Porque a agricultura orgânica produz uma quantidade menor de alimentos por metro quadrado – 25% a menos, em média, conforme um estudo da Escola de Medicina da Universidade de Stanford,nos EUA, publicado em 2012.

Isto acontece sobretudo porque os produtores de alimentos orgânicos não podem utilizar fertilizantes sintéticos ou pesticidas para ampliar o cultivo ou protegê-lo de pragas – embora, ao contrário do que se pensa, os pesticidas naturais possam ser mais nocivos do que os sistemas da agricultura convencional.

Isso não quer dizer que a produção de orgânicos seja má – só quer dizer que há mitos à volta do tema. Existem métodos benéficos seguidos pelos agricultores de orgânicos, como rodar as plantações sob formatos definidos para evitar que o solo enfraqueça ou perca nutrientes.

Mas também não se trata de um debate de concorrência entre uma dieta e outra, como alguns gostariam de acreditar.

“Você, consumidor sábio e inteligente, não precisa de comprar nenhum lado nesta história”, diz a escritora e bióloga Christine Wilcox para a Scientific American.

“Em vez disso, pode assumir uma posição nesse espectro no sentido de encorajar ambos os produtores a trabalhar juntos e melhorar os recursos alimentares globais, agindo de uma forma mais sustentável”, acrescenta Wilcox.

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