Sete anos depois consumo de cerveja volta a subir

Ben Eekhof / Flickr

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O consumo interno de cerveja inverteu em 2013 a quebra registada desde 2006, com um “leve crescimento” de 0,2% em volume, mas a associação dos produtores faz depender o relançamento do setor da reposição do IVA na restauração nos 13%.

Em declarações à agência Lusa à margem da conferência de imprensa para balanço anual de resultados do setor, o presidente da Associação Portuguesa dos Produtores de Cerveja (APCV) considerou “boas notícias” a subida do consumo interno para 4.937 milhares de hectolitros no ano passado, mas afirmou-se apenas “prudentemente otimista”.

“Se é verdade que, pela primeira vez desde 2006, voltámos a ter um crescimento dos volumes de cerveja em Portugal, isso deveu-se exclusivamente ao crescimento no canal alimentar, na grande distribuição. No canal da restauração voltámos a verificar, em 2013, uma queda do consumo em Portugal, o que nos preocupa, porque segue-se a quedas já muito importantes em 2011 e 2012”, afirmou João Abecasis.

Segundo o presidente da APCV, “se em 2011 o setor da restauração foi penalizado pelo início da crise mais profunda, com a entrada de Portugal em sistema de ajuda financeira internacional, em 2012 foi muito afetado pelo aumento do IVA de 13 para 23%, com o encerramento de muitos pontos de venda, e em 2013 volta a verificar-se o mesmo”.

De acordo com os dados da associação, a comercialização de cerveja no canal HORECA (hotelaria, restauração e cafetaria) voltou a baixar no ano passado, passando a representar 66 por cento do total do consumo de cerveja, enquanto o consumo dentro de casa aumentou 1,5 por cento, passando para os 34 por cento.

Quanto às exportações, registaram em 2013 uma quebra de 22%, para 2.494 milhares de hectolitros, “muito afetadas pelo efeito da greve nos portos em Portugal, por problemas de desalfandegamento clandestino, que atrasaram em vários meses a entrada de cerveja nacional em Angola, e pela incerteza causada pelo anúncio do aumento das pautas aduaneiras”.

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Segundo a APCV, em impostos diretos, o setor cervejeiro contribui com mais de 226 milhões de euros em 2013, o que representa um aumento de 1,6% face a 2012 e “reafirma o contributo ativo e real do setor cervejeiro na redução da despesa nacional e no equilíbrio saudável da balança comercial” portuguesa.

Salientando os “apoios claros dos agentes políticos” em vários países da Europa para dinamizar o consumo, nomeadamente no setor da restauração – de que são exemplo a taxa de IVA de 10% na restauração em Espanha e a redução do imposto sobre o álcool na Dinamarca e no Reino Unido – João Abecasis defende que, em Portugal, “a medida mais pertinente do ponto de vista social e económico seria a reposição do IVA na restauração a 13%”.

Esta medida, sustenta, “afetaria positivamente a associação, mas iria muito para além da associação”, já que teria “impactos sociais importantes, nomeadamente na geração de emprego”, inserindo-se no “desafio de redinamização da economia portuguesa no pós-troika”.

“Tendo em conta os últimos indicadores económicos do país e a inversão na quebra de consumo, acreditamos que é possível voltar aos níveis de consumo de 2008, o que significaria um encaixe de mais 84 milhões de euros para o Estado e um aumento de cerca de 14.500 empregos, segundo estimativas da APCV a partir do estudo da Ernst & Young para Portugal. Para isso, consideramos determinante que ocorra a reposição do IVA para 13% como medida fundamental para estimular o emprego e a vitalidade do setor da restauração e hotelaria”, afirmou João Abecasis.

Ainda assim, alertou, regressar aos níveis de consumo de 2008 “é ir para níveis de consumo que estão claramente abaixo da média europeia”.

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É que, atualmente, o consumo de cerveja ‘per capita’ fica-se pelos 49 litros em Portugal, quando a média europeia é de 73 litros, e ir para níveis de 2008 representaria “estar na casa dos 60 litros ‘per capita’, a meio caminho entre aquilo que é a realidade portuguesa hoje – bem pior do que há uns anos – mas ainda muito aquém da realidade europeia”.

Já ao nível das exportações, depois de um “conturbado” 2013, a APCV antecipa uma “recuperação da performance internacional do setor em 2014, designadamente com a já sentida estabilização do abastecimento ao mercado angolano”.

Na conferência de imprensa, a APCV apresentou ainda a nova campanha publicitária do setor, que, com a assinatura “É Natural, Faz Bem aos Portugueses, Faz Bem a Portugal”, estará presente na televisão, imprensa e Internet e se foca na clarificação do processo de produção de cerveja, apresentando as principais matérias-primas que a compõe, nomeadamente água, lúpulo, malte e cevada.

/Lusa

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